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O Bairro Santa Ifigênia

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            Como ficou o Viaduto Santa Ifigênia. 1
                                                                  Adoniran Barbosa

     Alguns locais são caros para os paulistanos, e um deles, sem dúvida, é o Viaduto Santa Ifigênia e sua grande e rica vizinhança. Hoje é um ponto de ligação de comércios distintos: de um lado, a Rua Santa Ifigênia; do outro, a estação do Metrô São Bento e a Rua Florêncio de Abreu, com suas lojas de ferramentas e tudo o mais do grande comércio; sem esquecer, é claro, os marreteiros que vendem de tudo (local onde se encontram roupas, artigos para cama e mesa, alimentos, CDs, fitas de vídeo... Isso quando o “rapa” não passa por lá, como nos velhos tempos). Antes de ficar famosa no Brasil inteiro como centro de artigos eletrônicos e de informática, a Santa Ifigênia era conhecida como uma rua de venda de roupas feitas.

viaduto Santa Ifigênia
Viaduto Santa Ifigênia

     O Largo de Santa Ifigênia nasceu no início do século 19, abrigando uma das mais antigas capelas da capital, a primeira erguida em sua nova área. Após modificações, foi inaugurada em 1912. O viaduto foi projetado para estabelecer ligação entre o centro histórico e a cidade em desenvolvimento. Uma coisa chamava a outra. A partir da inauguração, em 1920, mudou radicalmente e em seguida edifícios foram nascendo em seu entorno. Décadas passaram até que o Metrô chegou e o viaduto retomou a velha importância. No final do século 20, a prefeitura efetuou uma grande limpeza no viaduto.

igreja de Santa Ifigênia
Igreja de Santa Ifigênia

     O paulistano lembra sempre das badaladas dos sinos e do relógio do Mosteiro de São Bento, referência desde 1772, quando a torre já era novidade na pequena cidade. Sem contar que ir até a igreja e ouvir cantos gregorianos é um bálsamo para a alma. A beleza do conjunto é um flagrante do local: reúne a grandeza da arquitetura e os homens sem emprego. Como se fosse um grande templo aliado a uma grande feira.

     A fama nacional da Rua Santa Ifigênia não pode ser esquecida. A partir de 1980 ali se encontra desde um simples fio até um computador de última geração. Não há paulistano, paulista ou visitante de outros estados que não tenha passado por ali nas últimas décadas. Tudo se acha na Santa Ifigênia. Seu movimento chega a ser impressionante: milhares de pessoas se encontrando nos seus quarteirões. Quando chega a noite, tudo acaba como que por encanto, num silêncio de lojas fechadas e prostitutas decadentes em busca de clientes perdidos na noite do grande viaduto.

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1 Adoniran Barbosa, “Viaduto Santa Ifigênia”, em Meus momentos, EMI, 1993, CD.

Santa Ifigênia

     Nasceu na Etiópia e foi convertida por São Mateus. Segundo uma piedosa tradição, Santa Ifigênia teria sido filha do rei da Etiópia, Eglipo, e da rainha Ifianassa. Essa ilustre família real etíope teria também sido convertida pelo apóstolo Mateus. Quando o rei Eglipo morreu, o príncipe reinante quis casar com Ifigênia. Desejando entregar-se inteiramente a Deus, ela recusou o pedido. Inconformado, o príncipe ordenou a São Mateus que intercedesse, dizendo à princesa para reconsiderar sua decisão. O apóstolo negou-se a fazê-lo. E não só isso. Numa grande solenidade, consagrou Ifigênia a Deus juntamente com suas companheiras. O príncipe mandou executar São Mateus. Ifigênia, entristecida, vendeu todos os seus bens e mandou construir um suntuoso templo em honra do apóstolo.


Fonte:
Livro: Bairros paulistanos de A a Z – páginas 183 à 185 - 2a edição revista
            Autor: Levino Ponciano
            Editora: Senac São Paulo


 

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